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O que foi o movimento eugênico? O que pregava? Que condições sociais propiciaram seu aparecimento e propagação no Brasil? Quais seus portadores?

Movimento que ganhou força no período entre guerras no mundo, a eugenia surgiu na Europa na virada do século XIX para o XX e chegou  ao Brasil durante as décadas de 1910 e 1920, associando-se de imediato às preocupações em voga no momento:  saúde, saneamento, higiene e a questão racial. Visando a melhoria da raça humana, a eugenia pretendia, em última análise, sanar a sociedade de pessoas com características indesejáveis. A ampla divulgação dessas ideais serviu como justificativa para práticas discriminatórias e racistas de longo prazo.

Vejamos abaixo o texto de Aline Cotrim, aluna da Escola Superior de Ciências Sociais da FGV, sobre a ligação do médico carioca Miguel Couto com o movimento eugênico no Brasil.

Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia 1928

 

 

Miguel Couto: educação e eugenia

Ao longo da segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, houve um intenso fluxo imigratório em direção ao Brasil. Partindo, sobretudo da Europa vieram portugueses, italianos, alemães, entre outros. No mesmo período chegaram também milhões de japoneses que hoje compõem em São Paulo a maior comunidade japonesa fora do país de origem.

Esse enorme contingente de imigrantes que chegou ao país durante esse período fez com que a população branca que em 1890, era de 44%, subisse para 63,5%, em 1940, mostrando, assim, que houve um embranquecimento da população brasileira (IBGE; 2003). Embora o embranquecimento da sociedade tivesse sido encarado como uma solução positiva para o Brasil para parte de sua elite, após um tempo, principalmente a partir da década de 1910, começou a ser  visto como uma possível ameaça.

Preocupados com a entrada maciça de estrangeiros no país, diversos médicos e intelectuais como Renato Kehl, Octavio Domingues e Miguel Couto se pronunciaram sobre o assunto. Este último, foi um médico carioca, professor da faculdade de medicina, pensador da educação brasileira e autor de diversos livros sobre a educação e saúde pública no Brasil. Para ele a educação era o problema nacional, e acreditava que resolvendo esse problema todos os outros seriam resolvidos também (COUTO, 1927). Diante da ameaça racial, Couto foi um dos mais ativos intelectuais engajados na campanha antinipônica. Orientou teses sobre o assunto e redigiu constantes ataques no Jornal do Comércio, veículo que abriu espaço para a intolerância contra os imigrantes japoneses. Esse ódio antinipônico de Miguel Couto estava inserido no movimento eugênico, que foi muito forte nas primeiras décadas do século XX, e tinha como bandeira a “purificação da raça”. Uma sociedade eugênica seria aquela que tivesse sua população composta por pessoas brancas, saudáveis, sem vícios que ameaçassem o desenvolvimento do país.

No Brasil, a eugenia esteve presente principalmente nas idéias do médico Renato Kehl, que publicou diversos livros e folhetos instrutivos sobre o assunto. Responsável pela fundação da Sociedade Paulista de Eugenia em 1918, Kehl apoiava a implementação de diversas políticas públicas consideradas radicais por muitos, como por exemplo, a obrigatoriedade do exame pré-nupcial (STEPAN, 2005). Ele foi uma figura na divulgação dessas ideias no Brasil.

Ao estudarmos o papel que o médico Miguel Couto teve na divulgação do movimento eugênico, visto que ele era uma pessoa influente e muito admirada, principalmente por seus jovens alunos, podemos entender melhor a circulação das ideias eugênicas no país. Para isso, os seus discursos e artigos sobre  a eugenia e a mentalidade anti-nipônica, disponíveis hoje, em sua maior parte, no livro Seleção Social, publicado em 1942, são de grande valor para maior conhecimento e análise do tema.

Pesquisa: Intelectuais, Educação e Pensamento Social

Orientadora: Helena Bomeny/ESCS/CPDOC/FGV

Aline Cotrim/PIBIC-Cnpq – Aluna do 6º período da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas

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